Vivendo um dia após o outro (CONTO)

  Conseguia sentir o vento uivar em meus ouvidos, diante dos meus olhos tudo era um grande borrão. Estava caindo, podia estimar um minuto até a minha grande aterrissagem.

  Tinha um minuto até minha morte e nada de vida passando diante dos meus olhos, ou qualquer bobagem que falam na televisão. A única coisa que passava em minha mente era minha pequena Aina, minha irmã de um ano. Esperava que Lúcia cuidasse dela mas aparentemente todos resolveram me abandonar. Minha mãe foi uma delas, se matou após ter a Aina, psicose pós parto, ela delirava todos os dias e quem cuidava de Aina, era eu e nossa vizinha Lúcia que também tinha um filho recém-nascido. Eu tinha me cansado, tudo desmoronou muito rápido em minha vida, eu tentava entender o que deu errado, onde tudo começou a cair. Aparentemente sempre esteve em ruínas e a única coisa que me impedia de tentar qualquer coisa era sempre Aina.

  Quando eu tinha seis, minha mãe teve uma pequena depressão após meu pai sair de casa. Eu sofri muito, mas pelo bem da casa e principalmente da minha mãe eu sabia que tinha que ser forte. Aos seis anos eu percebi que minha vida não ia ser como de toda criança, mas foi. Eu tive uma infância normal até que na adolescência surgiu um novo problema, Aina. Sim, minha mãe engravidou de novo. O pai? Ninguém sabe…E sim, Aina foi o meu maior problema. Após ter nascido minha mãe teve psicose pós-parto, ela tinha alucinações todos os dias, cada dia era uma coisa diferente. Até que teve um dia que ela quis me matar, dizia que eu era o culpado de tudo, que meu pai disse que tinha que me matar. Ela tentou, eu fui mais forte. Tirei a maldita faca de suas mãos, foi então que ela desabou chorando, gritando coisas aleatórias. E naquele momento eu tinha que ser forte de novo, não pela minha mãe, eu sabia que ela morreria logo, ou se mataria logo, mas por Aina. E eu estava certo, ela se matou dois dias depois, enfiou uma faca no pescoço dizendo que ele havia mandando ela fazer isso para poder se libertar. Depois do enterro dela, Lúcia se mudou, fiquei sozinho com Aina. Tive que começar a trabalhar e enquanto isso eu deixava Aina com uma babá, o dinheiro quase não dava para pagar seu salário e pagar as contas. Sempre pensava que iríamos morrer de fome, pelo menos eu iria, reduzia minha comida, quase não comia, fiquei muito magro mas aguentei firme, por Aina.

  Eu estava quase no chão. Caí indo de encontro ao chão duro, podia sentir os ossos se partindo e gritei. Acordei assim, gritando, corri até Aina que estava dormindo tranquilamente no quarto ao lado. Sempre tinha sonhos desse tipo, e toda vez que eles ocorriam eu corria até Aina. Seu pequeno corpo magro estava encolhido no lençol. A abracei forte e ela acordou, abrindo sonolentamente os olhinhos verde oliva.

– Papai ? – Perguntou ela sonolenta. Aina havia adquirido o hábito de me chamar de pai desde que aprendera a falar. Eu havia relutado, ensinado que eu era seu irmão mas nada a fazia me chamar de outra maneira.

– Eu nunca vou te deixar, meu bem. Prometo – Eu disse afagando seus cabelos. Depois de toda a luta que tive, consegui um emprego novo que me pagava mais. Depois que Aina cresceu substitui a babá pela creche e logo em seguida seria pela escola. Nossa vida havia melhorado muito e eu estava finalmente feliz, Aina fazia meus dias melhores, eu vivia por ela. Todos os dias acordava com seus olhinhos me implorando atenção, passava pouco tempo com ela mas toda vez que estavamos juntos eu aproveitava. Aina era minha salvação. E Eu vivia um dia após o outro por ela.

FIM !

Esse conto pode ter sido um pouco pesado, me desculpe. Mas espero que tenham gostado, obrigada e até a próxima.
 

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